domingo, 23 de agosto de 2015

O mal estar da civilização

Às vezes a observo de longe. Tem um andar firme e manso. De vestimenta simplória - calça jeans escura, camiseta de malha unicolor, costumar usar sapatilhas oscilando tons de rosa, passando pelo vermelho e indo até o vinho. Prende o cabelo como o famoso "rabo de cavalo" e coques, deixando na maioria das vezes a nuca bem exposta. Nuca que por sinal chama muita atenção! Usa pulseiras nas cores vermelhas, amarelas e verdes. Pressuponho ser adepta à filosofia e som de Marley. Os brincos são discretos e pequenos. E a maquiagem... que maquiagem? É apenas um lápis no olho e batons nas mesmas cores das sapatilhas.
Me espanta lembrar que quando nos conhecemos, através de muitos amigos em comum, houve um choque de frequências. Havia sintonia mas não havia aceitação. Era como se tivesse lançada uma competição de energias. Calar a voz, consentir o olhar e neutralizar a respiração foi o melhor a fazer. E assim fiz. Dias depois quebrei barreiras, conversamos horas e horas. Havia sintonia, muitas gargalhadas, observações, similaridades, coincidências... Havia um encanto superior e jamais visto em pessoa alguma. E agora, passados anos e anos de grande aproximação e tantas confissões, o silêncio se faz necessário. A vida caseira me abraçou novamente e agora só a observo da janela quando passa lá longe...

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