sábado, 27 de dezembro de 2008

A terra, Marina e o céu...

A gente pensa que é forte e, na verdade, não é nem um pouco. 
Fraqueza e impotência, com tristeza e dor são as sensações certas de como me sinto agora.

No dia 22 de dezembro, a madrugada estava fria e conforme ia amanhecendo, o céu gritava as nuvens mais carregadas e sombrias que já tivesse visto. Por aquele dia todo o céu chorou.

Era um sentimento de tristeza pairando no ar.

As pessoas iam chegando, umas surpresas enquanto outras tentavam nos acalmar, nos confortar. Durante todo o dia fiquei anestesiada vendo tudo aquilo acontecer e ao mesmo tempo imaginando que aquilo não estivera acontecendo comigo, com a minha família.

Naquele dia as gotas d´água caiam como choro e o vento frio sussurrava algo.

Na noite do mesmo dia, meus primos, tia e prima-irmã, chegaram de Belém. Ao mesmo tempo que foi um alívio terem conseguido comprar passagem naquele momento, quando chegaram foi aterrorizante.

Após lágrimas, abraços e desesperos... estávamos todos ali. A família estava toda reunida. Aos poucos já estávamos todos anestesiados. Era conversa pra lá, conversa pra cá. Recordações sobre a gente, histórias da família. De vez em quando saiam até alguns risos, por que não? E aos poucos o dia 23 ia tomando forma. O céu ia se abrindo com aquele azul cor-de-céu infinito, com algumas nuvens brancas pintando o cenário. O sol aos poucos foi mostrando aquele sorriso amarelado e super brilhante. Os pássaros cantarolando e, mais uma vez, aquela brisa suave, leve, levando pólen de flores aos mais distantes e férteis solos.

Às 9 da manhã, na hora da 'marcha', nossos olhos estavam mais inchados, nossos corações estavam mais feridos. Nossos corpos estavam cansados, pois foram 2 dias sem dormir, sem se alimentar direito. Mas estávamos ali reunidos. Estávamos todos ao seu lado.

Eu sei que lá de cima, aquele belo dia se resumia em sua alegria por estarmos todos ali: reunidos, sem brigas, por amor.

E assim, estás em nossas lembranças. E, apesar da dor, sei que estás bem. Sei que estás em paz, como horas antes pedias a Deus. Mas ainda sim, estou anestesiada. A ficha ainda não caiu. A sensação é de viagem, e pra falar a verdade, prefiro continuar imaginando isso. Porque sinceramente, às vezes meu estado emocional 'exterior' é só fachada mesmo, então, prefiro continuar a imaginar que estás viajando.
No mais, te amamos incondicionalmente. Eu te amo eternamente e continuarei a amar, independente de teres habitado a terra, ou de estar habitando o ar: você será para sempre a minha Marina.