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terça-feira, 7 de maio de 2013

Eus: Ao infinito e além!



"Podia ver a estrada à minha frente. Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria algum lugar para me esconder, um lugar em que ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava mas também me deixava enojado. Pensar em ser um advogado ou um professor ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, participar de piqueniques em família, festas de Natal, 4 de julho, Dia do Trabalho, Dia das Mães... afinal, é para isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia de sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, retornar para a solidão de um cubículo e beber até dormir."


C. Bukowski

segunda-feira, 25 de março de 2013

Dreamcatcher



"Que a maldade e a má negatividade do ser humano passe pela teia e não corrompa os 

seus sonhos, que ela atravesse em forma de paz e positividade. Porque feliz ou não, 

transmitir a alegria é essencial."


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Prece Irlandesa

May the road rise to meet you,
May the wind be always at your back,
May the sun shine warm upon your face,
The rains fall soft upon your fields;
And until we meet again,
may God hold you in the hollow of His hand.

Que a estrada se abra à sua frente.
Que o vento sopre levemente às suas costas.
Que o sol brilhe morno e suave em sua face.
Que a chuva caia de mansinho em seus campos.
E até que nos encontremos de novo,
que Deus lhe guarde na palma de suas mãos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Quando acordei, de tarde, lembrei que...

Ela vestia um pijama azul, com cores azul, tom azul.
Era um quarto pequeno, uma cama singela encostada na parede, um cobertor branco.
Havia um notebook, uma mesinha, um coração inquieto super franco.

Na tela, uma mensagem. Alguém ia casar, ia ser pedida em casamento.
Nos seus olhos lágrimas, medo, aflição.
Fiquei curiosa, quis saber do que se tratava no momento.

Abandonou a mesinha, o notebook, a beirada do pedaço de cama em que estava sentada.
Arqueou a cabeça, jogou as costas no colchão, pôs as mãos no rosto, chorou feito condenada.

Minutos passaram, se recompôs. Ainda sob a cama, sentou colada a uma das paredes.
Dobrou os joelhos em direção do peito, colou o queixo.
Da cabeceira, roubou o celular. Escreveu uma mensagem de texto.

Era pra amiga? pra irmã? era pra Pretinha que contara a novidade.
Enviou. Continuou, no celular, a mexer.
Em seguida me mostrou porque chorava de emoção, o motivo de chorar de verdade.

"Casar" foi só o que consegui ler.
Falei pra ficar calma, "é uma coisa boa!"
Ela sorriu, disse: "tudo bem, já passou"
"Há males que vem para o bem", pelo menos foi o que filosofou
alguma certa pessoa.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Luz e sombra



Ficcionalidade na minha realidade é contradição?
Mutação.
Desfaço-me. Recolho-me. Silencio-me.
Conjugo-me. Enceno-me. Refaço-me.
Inquietação.
Que parcela de mentira existe no palpável?
Com que cautela conto-me no improvável?
Contra edição.
Desnudo-me. Sangro-me.
Salvo-me.

2 comentários:

  1. posso re-blogar este, exclusivamente,
    só para salvar-me um pouquinho...
    deixa?
  2. É privilégio meu de ter um texto no teu blog. rs
    Abraço!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Feliz por nada

Ser feliz são para os fortes. Talvez eu finja ser forte, mas não minta quando diga que sou feliz.
É possível alguém estar numa situação triste, deprimente, num estado deplorável, mas feliz, patetamente feliz?
Do tipo uma felicidade clandestina, que não é minha, e que de certa forma não sinta inveja por não ser minha? Somente feliz. Apenas feliz. Feliz por respirar, por andar descalça, por sentir o cheiro da chuva, escutar o passarinho cantar, ver o sol brilhar? Feliz nas horas vagas, ali parada, cheia de si, cheia dos nãos, com tudo conspirando contra, mas respirando um ar completamente bom, saudável, sereno? É possível?
É tão clichê ser feliz de graça que chega a custar caro.
Caro blog, felicidade é um estado, uma atitude, um objeto, um imóvel, uma pessoa, um lugar? O que seria?


Minhas mais novas aquisições banais são, sem querer, sobre o tema em questão. Um, é o livro "Feliz por Nada", da minha queridíssima do Tum-tum Martha Medeiros; e o outro é um filme (pirata): "Onde está a felicidade?". Esse último, o filme, lembra o "Comer, rezar, amar" com rota pra Europa (Espanha), numa versão brasileira e fraca - não desmerecendo os filmes brasileiros, que fique bem claro, porque adoro os filmes de produção nacional.
Nessa última semana, assisti alguns filmes que valem a pena dar uma atenção a mais nos diálogos e moral da história. Mostram a felicidade como forma de caminho, como conforto, como atenção, esperança, superação, é bem interessante. São eles: "A Felicidade é um cobertor quente", "Country Strong (Onde o amor está)", "Regras do Amor" e "Comer, rezar, amar" (sim, eu sou fãzinha do livro, da autora, e do filme por causa da belíssima trilha sonora e fotografia).

No mais, finalizarei concordando com a Katia, citada na 3ª página, dedicatória da Martha Medeiros no tal livro acima citado, "Feliz por nada":
"Pra Katia, que vive me lembrando que a felicidade não precisa de motivo".
Olha Katia, não sei quem é você, mas pode crer: tô contigo e não abro mão!: as melhores coisas são de graça, inclusive quando se acha graça da absurda e séria sobriedade daqueles que vivem dando motivos para não quererem estar felizes. "Tédio é para os sem inspiração".

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A lei da atração atrai ações, mesmo.

"Você atrai o que transmite".

Alguma das histórias do livro "O Segredo" soaram aos meus ouvidos como surreal, balela, pura baboseira. Até o momento em que passei a pôr em prática o que havia ali escrito.

Primeiramente comecei expressando coisas boas, anotando coisas boas, pensando em coisas boas. O segundo  passo foi mentalizar em dizer o mínimo de vezes possível a palavra "NÃO", uma vez que esta não é compreendida e absorvida pelos cosmos. Por exemplo: se eu mentalizo "eu não quero namorar", como os cosmos não entendem a palavra "não" entendem somente o fato de que "eu quero namorar". (o que talvez seja verdade mesmo). O terceiro e grande e passo foi e é sempre pensar positivo.

A resposta vem aos poucos.
1) Quando vou à igreja, na hora da comunhão, começo agradecendo por todas as bençãos sobre minha família: por meus pais, minha base, continuarem firmes e fortes um ao lado do outro, estando saudáveis e companheiros; que minhas irmãs continuem alçando voos, pois somos argolas, e juntas, correntes.
Depois, parto para o agradecimento sobre minha existência: peço que Ele me apresente um cara legal, com quem possa compartilhar alguns dos melhores momentos do dia; que me deixe sempre muito forte para aguentar em pé qualquer tipo de pancada (é, eu falo assim mesmo); que me deixe salvar na memória milhares de piscadas, como fotos, nos diversos lugares em que eu for habitar; que conserve meu avô, tios, tias, primos e  primas, juntamente com os meus amigos, mantendo ao meu lado, como perfeito círculo amizade.

2) Uma vez lembro que escrevi sobre o quanto gostaria de ir embora, largar tudo, me instalar em um novo lugar. Coloquei até fotos dos lugares! E não é que aconteceu? Quando dei por conta, estava na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul!

3) Ontem, por volta das 22h mandei uma mensagem de texto para um garoto que conheci nesse domingo. Desde segunda conversamos durante o dia por sms e ao final da noite via celular. Exceto pelo dia de ontem, quando recebi uma mensagem dele e não respondi. Me senti um tanto mal educada, com um peso na consciência e respondi. Na mesma hora ele liga, falando que estava pensando: "ela não me mandou uma mensagem, estou esperando até agora e nada" - o que deduz que seus pensamentos estavam voltados, de uma certa maneira, pra mim.

4) Hoje, uma peste lá da Semsa (não gostaria nem de citar o nome), começou a por defeitos no carro do meu setor. Dizia, em tom de deboche para meus colegas, que o carro havia acabado de sair da oficina, que vive quebrado, capaz de causar algum acidente - o que de fato é verdade, o carro é uma geringonça. Mas e daí? O setor já está paralisado por falta de motivos 'maiores', a sala onde passo as 6 horas diárias é tão escura e mal ventilada quanto uma sola de sapato, e qualquer motivo para que os raios solares me toquem a pele, que a brisa, mesmo que empoeirada, suspirem meus poros, e o atendimento ao público, possa enfim, ser posta em prática, vale por qualquer aventura. Segui em direção ao carro junto com mais dois outros colegas. Não satisfeito o bastante, pergunta: "Vocês vão mesmo nesse carro? E se vocês ficarem no prego? Hahahaha." Entrei no carro e pus meu fone de ouvido, não dando ouvido. (É por essas e outras que vivo com um par deles acoplado ao meu celular no ambiente de trabalho. Tiro somente um lado pra escutar o que a pessoa está falando, na hora de uma reunião, atendimento, ou coisa assim. No mais, prefiro escutar meu repertório musical, a escutar negatividade em forma de porcarias). Continuando, não é que na volta do trajeto, lá pela Transamazônica, as rodas do carro travam por completo?! Vai ter boca suja assim lá pra longe!

Resumindo: estou abismada sobre o quão poderosa é nossa mente e, do quanto o universo conspira a nosso favor, dependendo do pensamento.


Ei, Cosmos, me dê um real, aí. 
Um real amor ou um real de liberdade.
Um real momento pra ser feliz, um real desse momento pra seguir feliz.
Uma real atração pela positividade e boas vibrações.
E mais uns milhões pra plantar no quintal da casa, perto das árvores onde irá estar atada minha rede. 


domingo, 20 de novembro de 2011

Brinque do seu jeito.

"Vamos pular!"


O sábado de 19 de novembro foi marcado, não apenas pela passagem do 1º ano do Bebê-mais-que-fofo-da-vila, E-Lolô; como, também, pelo simples ato de 'pular' no pula-pula que havia em seu aniversário.
Lembro que confessei algo para a Natxi numa das primeiras vezes em que me arrisquei a pular depois de grande. Foi num dos festejos da comunidade eclesiástica que participo, Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em maio ou junho de 2009, ou 2008, sei lá. (até que não faz muito tempo)
Nele descrevia como havia me sentido, sobre o que pensava a respeito das crianças, que são extremamente dotadas de um espírito sincero, claro, alegre. Há 4 janelas abertas: e-mail, gmail, blog, 4shared - estou procurando estes escritos. (pausa)

(meia hora depois....)

Achei!
"Ontem pulei no pula-pula. Muito show! Agora sei por que as criancinhas não param de pular: porque o mundo é um pula-pula: uma hora a gente tá aqui, e na outra a gente está lá!"

É isso. Nossa vida é um perfeito pula-pula, uma montanha-russa, um circo, narizes vermelhos de palhaço... altos e baixos mascarados pela diversão.
Felizes são as crianças que trabalham brincando e inventam brincadeiras para ativar suas diversas formas de imaginações em verdades; aquelas que passam o tempo jogando fora a seriedade e mantendo a curiosidade.
Meu espírito tende a respirar os ares e inocência desses pequenos mais que gigantes. Por um lado, aquele bem melancólico e nostálgico, sinto que resta algo da minha infância, no qual continuo sendo influenciada e regida; por outro, ela adormece, dorme em si, o que é uma pena, pois põe à tona o meu lado mais perverso: em ser adulto.
Nietzsche afirmava que: "em qualquer homem autentico existe uma criança querendo brincar". E há, de fato. No sábado, fui uma delas.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Andarilha

Na lembrança me vaga a exaustão.
No imaginário devaneio endireitada. Não que deva, certamente, ir em uma direção certa, eu só não gosto do "dever" ser certa. Pra isso, tenho uma estrada de chão e um Teco-Tico planador esperando do tempo e luz que lhe réstia.

"Combustão que é bom emprestei pra manter a lenha acesa. A lanterna pelo caminho ficou afogada e, nos repolhos vi o aconchegar das crianças, famintas."
Deixei como bilhete ao sair, não sei quais foram suas reações. A minha foi de razão: desisti por um lado que voltaria por outro. Assim fui. Fui me perder.

Agora que fui achada, me exausta divagar via lembrete: preferiria ter vindo devagarinho numa lambreta ou num cavalo a galope.
Andar a pé, eu deixaria pros que viriam a me calçar na floresta depois que aprumasse águas - ou uma cachoeira de choro, ou em corredeira rio.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tem que ter sorte e coragem pra azarar no jogo do amor.




Bom dia! Não, eu não acordei cedo. São quase 2 da manhã e eu quero ligar praquele boi!? Oi! Oi? Mas eu nem liguei, fiz pior: mandei um sms! Pior? É pior sim, as pessoas acreditam e confiam bem mais na veracidade de um texto escrito do que na fala propriamente dita. O que está acontecendo? "Me tira daqui!", quer dizer, "sai daqui, não tem espaço, eu não posso pensar em você!". É o que o besta do meu cérebro está gritando, dizendo pra ir pro meu coração, pois lá deve haver mais espaço vazio. Eu devo estar ficando doida, maluca, perturbada do juízo - se bem que uma grande parte de mim já condiz com tais adjetivos.

Eu nem sou de me iludir fácil, pelo contrário, se tem uma coisa que tenho enraizado são os pés no chão. O que me ferra é só a cabeça. Essa que, por sua vez, mesmo presa, vive no ar, perto das nuvens. Por favor, preciso que tapeiem minha bela face. (pausa. celular bipando. Uma nova mensagem de texto.)

Uau, isso não deve estar acontecendo, ele respondeu! Que fofo, me desejou uma boa noite, disse que "está ficando mal acostumado". Agora ferrou de vez, não vou conseguir dormir porque ele respondeu, e não é ironia. 

Lembro que era uma quarta, mandei um sms besta qualquer, ele retornou com uma ligação que, pra meu espanto, durou quase 37 minutos - e eu nem sou dessas de ficar com a garganta seca de tanto falar ao celular. Fico pensando que se forem daqueles benditos jogos de azar, que então, possivelmente, futuramente, terei sorte no amor; contudo, se não for, por que diabos ele não cumpriu o trato de apenas termos ficado no "Oi, tudo bem?", de longe, depois que nos esbarrácemos por ai? 
Pra uma semana depois ele ficar dando toques no celular seguido de um sms: "Preciso de você". Dias depois, ligar às 5 horas da manhã, em pleno horário de repouso de minha beleza; vir almoçar na minha casa, no domingo, dia dos pais, e ter a cara de pau de dizer que vai ligar a noite, ligando mesmo e me fazendo ficar confusa! Eu o desprezo, digo que "não dá, não tem como, tenho um aniversário pra ir." Minto pra ele e curiosamente pra mim. 

Naquele momento eu estava quase na frente de um DJ, do DJ, pensando em outro alguém que era o próprio DJ. Era 'esse alguém' que eu gostaria de ter. Às vezes, penso que a cada vez que nos encontramos (eu e 'esse alguém', o DJ) é uma esperança a mais, mas é pura balela, pura ilusão, 'esse alguém' vai casar mesmo! "Então case, meu filho! Case com essa desconhecida Sabeláquem que te chifra de lá de Sabedeusonde." Pensei raivosamente em dizer. Não disse, não digo e nem direi apesar da amizade. Eu só esbanjava serenidade, e ao que via 'esse alguém' me olhando, demonstrava estar agoniada vigiando o celular, como de quem espera uma ligação - eu tenho amor próprio, pelo amor de Deus, e sei causar ciúmes alheios também, ai como eu sou bandida! - ao mesmo tempo que revoltada por não ter aceitado a estar com o 'Cara do Sms', o Rato - apelido carinhoso por mim dado e por ele desconhecido. Ô bicha burra! 

Quer saber, vou é continuar com os sms, pelo menos gosto do lance do jogo de gato e rato.  Eu penso no jogo, penso nele, mando sms, ele responde e tudo fica empatado: não sai do 0x0. Tô ferrada! Quê eu faço? Odeio perder, a não ser que estejamos falando de quilos, esses a mais nenhuma mulher curte. Em compensação, a palavra 'ganhar' é tão com ar de superioridade, soberba. 


Por mim, preferiria estar jogando frescobol, concordando com o mestre Rubem Alves: "O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom é preciso que nenhum dos dois se perca. (...) Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos..."


É isso aí, nada de deixar a bola cair, 'game over'. E sim contar até 3, apertar o 'Play' e depois 'Repeat', quantos forem necessários!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Confúcio que nada, CONFUSA!

O que há de errado comigo? As coisas não ficaram confusas, FUI EU! Só faço coisas erradas! Se me dessem a chance de fazer o certo, certamente o Faria, assim como Beth, Reginaldo, Marcelo. Se tivesse que escolher entre A montanha e Castelos, se tá Russo decidir, que me perdoem o rei Roberto e Renato, escolheria Marisa, que ouço e amo de Monte. Se é pra remediar, prefiro Gabriel, a pílula inteligível que PensaDor. E sobre Discursos e Conversações, Confúcio ele, confusa eu, parafuso horário, ora Bros, Mário.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Coração - C.F.A.


Eu sou fã e quis retalhá-lo. Não deu. Ponho em seu todo, pois toda de mim fala. Acrescenta-se mais, diga-se em pauta, mas não acrescentei. 
Crescer-te-ei. 
Crer-se em ti ei.
Crer, em si, ei!

Coração

Na terra do coração passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.

Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d'água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.
Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se p6os. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.

Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.

Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.

Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração teu. 

(Pequenas Epifanias, crônicas) Caio Fernando de Abreu

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Trechos de Livros - Hermann Hesse e Pablo Neruda

"Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim. Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir a si mesmos."

"Poderia contar muitas coisas belas, delicadas e amáveis de minha infância; falar da aprazível segurança paterna, do carinho infantil, da vida simples e fácil no ambiente caseiro e luminoso e caro. Todavia, só me interessam os passos que tive de dar na vida para chegar a mim mesmo. Deixo resplandecer na distância todos os pontos de repouso, ilhas encantadas e paraísos, cujo sortilégio provei e aos quais não desejo voltar."
 

Os dois primeiros trechos são do livro (ainda sendo lido) Demian de Hermann Hesse.
Impressionada com esse cara, com os personagens, com as histórias. Eu realmente pélo esse tipo de leitura, esse tipo de escrita, de história existencialista.
E por fim, este último poema é do Pablo Neruda, um poeta chileno, chamado Coração Amarelo.
Coração amarelo, por algum modo me simplifica, me chama atenção.
Sem mais,
besos.

"De tanto andar uma região
que não figurava nos livros
acostumei-me às terras tenazes
em que ninguém me perguntava
se me agradavam alfaces
ou se preferia a menta
que devoram os elefantes.
E de tanto não responder
tenho o
coração amarelo."

P.N.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Chorare: tinindo!

"Você roubou meu vídeo cassete
Pensando que eu fosse o controle remoto
Pra frente e pra trás só na sua cabeça
E antes que eu me esqueça
É melhor desligar"


Eu leio alguma coisa e me dá vontade de chorar.
Eu vejo alguma coisa e me dá vontade de chorar.
Escuto alguma música e me vem uma vontade louca de chorar.
Eu olho para alguém, para que me 'salve' dessa alguma coisa, mas só me dá vontade de chorar.
Então concluo que o melhor é externalizar escrevendo em páginas brancas, como agora e, de repente, sinto um caminho vertical aguado escorrendo pelo meu rosto. É o choro, droga!
E o melhor é desligar, foi desligar, tentar desligar. E por quê não consigo desligar? Eu quero desligar, tenho que desligar, quebrar o controle remoto, e o video cassete, também, por que não?

Alguém tira minhas baterias, ou me desliga, por favor?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Era uma vez.

A reencarnação e a imortalidade são dois conceitos que significam mutuamente o mesmo. Devemos sempre interferir no que podemos e abandonar aquilo que não nos deixa interferir. Seguimos assim o nosso destino e caminhamos para um conhecimento total do que somos e para o que somos, porque vivemos para o infinito e não para o momento.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Como um dia de domingo...

"O pior momento de sua vida era nesse dia ao fim da tarde: caía em meditação inquieta, o vazio do seco domingo. Suspirava. Tinha saudade de quando era pequena – farofa seca – e pensava que fora feliz. Na verdade por pior a infância é sempre encantada, que susto. Nunca se queixava de nada, sabia que as coisas são assim mesmo e – quem organizou a terra dos homens? Na certa mereceria um dia o céu dos oblíquos onde só entra quem é torto. Aliás não é entrar no céu, é oblíquo na terra mesmo. Juro que nada posso fazer por ela. Afianço-vos que se eu pudesse melhoraria as coisas."

QUERO MEUS DOMINGOS DE VOLTAAAAAAA!
Dia de missa, dia de acordar cedo pra ir pra missa.

Dia de passar o dia com a família, fazer o almoço, comida farta, mesa super variada.
Dia de ir passear na praça, comer churros, tomar sorvete, ter a família por perto, e encontrar com amigos e bater aquele papo gostoso.


EU QUERO!
Ai Meu Deus ♪Como eu queroooooo♪


Amém, que assim seja. Obrigada!
Até!
Kisses

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Coração Selvagem

"Bom é viver (...) Mau é não viver, só isso. (...)
Morrer já é outra coisa. Morrer é diferente de bom e do mau. (...) Você terá que dar muita coisa, para ter outras...(...)"
C,

terça-feira, 4 de maio de 2010

[Suzy in the Sky] Do cheiro do teu amor saudade...

'...Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.'



diretamente do Suzy in the Sky em 04/05/2010 08:47:00 AM

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Semana passada... Amnésia!

Não lembro de muitas coisas, pero, lembro, of course!


E essas 'recordações' não recordantes é o que me fazem ficar assim: transtornada, esquecida, apática.
Como se em minha vida nada acontecesse, nada ocorresse, nada influenciasse, e o pior, ou melhor: é que fatos existentes, são fatos, de fato, muito interessantes e importantes.


VAI ENTENDER...


Daqui uns segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses ou anos, volto pra postar algo interessante, que tanto me interessa e importa: e que em ti fique datado e escrito diário, afinal, não te esqueci hehe.

Se bem que às vezes ajo dedilhando como a música da Mariana Aydar:

♪Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música.
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras