segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Próxima, próxima, próxima


"Você me dá muito pouco e eu vou embora.
O que você me deu vou jogar fora.O que presta pra mim é afeição.Eu vou tentar ser bem mais competente na escolha da próxima paixão (meu bem),
próxima paixão (meu bem), 
próxima, 
da próxima...


Não chore, homem!"

Vivece

A partir de hoje minha gentileza e bela maldade adormecidas aflorarão.
Precisava dizer isso.
Valeu.

Ex pêra maçã

Leva a alma sã
Sabiá do canto teu.
Tamanha solidão que doi
na maçã do rosto, escreveu.

um último beijo,
última lembrança
em forma de texto
ficou marcado
o rosto, a maçã e a palavra
um choro de criança,
que dançava,
e trançava,
no solado.

Nessa história há quem só lamenta,
senta a mente
sente a menta
não acreditar em um sentimento,
ou em um time descente,
ao léu no escuro aumenta.

a fé da santa,
vendo o mel em sofrimento,
vento oco, logo trouxe
o sabiá que te canta
no rosto da maçã doce,
tanto descontentamento,
palavras pela manhã de agosto.
na leve alma sã, de um rosto,
e o cheiro de hortelã,
tem gosto,
eis então um suposto.
suspeito pela solidão,
já que o ex crê no que vê,
interroga:
- do que mais gostava, então?
- me doi a lembrança do último beijo.
que droga,
gostava até da sogra,
de menta,
requeijão,
de amor,
desejo.

o rosto, a maçã, a palavra, a alma.
quatro que divididos em dois,
numa matemática errada,
não restara depois,
nada,
nem marmelada.

como assim, crê no que vê?
é planejar o que saberia.
se sabe ler e escrever,
pode muito bem ter,
na maçã do rosto escrito,
fingir um suicídio,
e agora, a sete palmos, dançando
aparece alguém chorando,
e o leite derramando,
levantando falso genocídio.

- que triste fim, quase escapo
não fosse o mal vencer a melhor
- lava a cama, pega o sapo
ou a rã,
qual for o pior.
O sol nasce quadrado,
para aqueles que escrevem errado
no rosto da maçã.

não se diz "leva" como recado,
de quem parte pro outro lado,
ao não ser que seja assinado,
como o crime do padre amaro?
cheio de conceito pré existente
de um preconceito presente,
onde o que se colhe,
planta,
por isso, não me espanta
ousadia tanta,
para a dor de quem escolhe,
perder alguém por uma janta.
até por que não acalanta,
o riso, o choro, a alma, o já,
o sabiá até que canta,
mas a alma, o rir e o chorar,
não tão cedo voltará
a habitar,
neste lugar,
que tanto no solado havia de dançar,
bailando feito criança,
e do rosto resta a lembrança,
e a marca de uma trança,
que no céu agora há de voar.

em 17/11/2010 por S.F.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pelo menos não torrou demais.

"O amor é fogo que arde sem se ver".

Esse é um dos trechos mais famosos de Luís Vaz de Camões. Utilizo-o porque talvez seja a frase mais perfeita para retratar meu estado nessa última semana, digamos, não tão legais assim.
Então minha doença era amor, se chamava amor. 
Uma semana e um dia de febre de 40º C , não é pra qualquer um.
Alguns diziam: 
- Meu Deus, você está pegando fogo!
- Tua mão tá muito quente...
- Pode até tomar um banho pra tentar esfriar o corpo.
E quando a febre passava, era aquele calor inexplicável.
E nada se viu. 
Não se viu o fogo, mas me vi arder a ponto de não suportar a própria respiração - de tão quente!
Então, deduzo que Camões seja o meu médico. Não sei se acertou, mas foi o diagnóstico mais coerente para tal. 
Portanto, doenças como o amor deveriam ser extintas. 
Se sofro do coração, do fígado, do estômago, da coluna, muito melhor que sofrer de amor, que arde como fogo e não é vista, nem reconhecida. É uma doença injusta, egoísta, hipócrita, fugaz.
Ainda bem que meu médico não é Camões - estar doente por amor seria simplesmente horrível. 
Por isso, dizer que estar com febre é bem melhor. 
Então é isso: estou com febre, muita febre.