quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pelo menos não torrou demais.

"O amor é fogo que arde sem se ver".

Esse é um dos trechos mais famosos de Luís Vaz de Camões. Utilizo-o porque talvez seja a frase mais perfeita para retratar meu estado nessa última semana, digamos, não tão legais assim.
Então minha doença era amor, se chamava amor. 
Uma semana e um dia de febre de 40º C , não é pra qualquer um.
Alguns diziam: 
- Meu Deus, você está pegando fogo!
- Tua mão tá muito quente...
- Pode até tomar um banho pra tentar esfriar o corpo.
E quando a febre passava, era aquele calor inexplicável.
E nada se viu. 
Não se viu o fogo, mas me vi arder a ponto de não suportar a própria respiração - de tão quente!
Então, deduzo que Camões seja o meu médico. Não sei se acertou, mas foi o diagnóstico mais coerente para tal. 
Portanto, doenças como o amor deveriam ser extintas. 
Se sofro do coração, do fígado, do estômago, da coluna, muito melhor que sofrer de amor, que arde como fogo e não é vista, nem reconhecida. É uma doença injusta, egoísta, hipócrita, fugaz.
Ainda bem que meu médico não é Camões - estar doente por amor seria simplesmente horrível. 
Por isso, dizer que estar com febre é bem melhor. 
Então é isso: estou com febre, muita febre.