terça-feira, 30 de agosto de 2011

Andarilha

Na lembrança me vaga a exaustão.
No imaginário devaneio endireitada. Não que deva, certamente, ir em uma direção certa, eu só não gosto do "dever" ser certa. Pra isso, tenho uma estrada de chão e um Teco-Tico planador esperando do tempo e luz que lhe réstia.

"Combustão que é bom emprestei pra manter a lenha acesa. A lanterna pelo caminho ficou afogada e, nos repolhos vi o aconchegar das crianças, famintas."
Deixei como bilhete ao sair, não sei quais foram suas reações. A minha foi de razão: desisti por um lado que voltaria por outro. Assim fui. Fui me perder.

Agora que fui achada, me exausta divagar via lembrete: preferiria ter vindo devagarinho numa lambreta ou num cavalo a galope.
Andar a pé, eu deixaria pros que viriam a me calçar na floresta depois que aprumasse águas - ou uma cachoeira de choro, ou em corredeira rio.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tem que ter sorte e coragem pra azarar no jogo do amor.




Bom dia! Não, eu não acordei cedo. São quase 2 da manhã e eu quero ligar praquele boi!? Oi! Oi? Mas eu nem liguei, fiz pior: mandei um sms! Pior? É pior sim, as pessoas acreditam e confiam bem mais na veracidade de um texto escrito do que na fala propriamente dita. O que está acontecendo? "Me tira daqui!", quer dizer, "sai daqui, não tem espaço, eu não posso pensar em você!". É o que o besta do meu cérebro está gritando, dizendo pra ir pro meu coração, pois lá deve haver mais espaço vazio. Eu devo estar ficando doida, maluca, perturbada do juízo - se bem que uma grande parte de mim já condiz com tais adjetivos.

Eu nem sou de me iludir fácil, pelo contrário, se tem uma coisa que tenho enraizado são os pés no chão. O que me ferra é só a cabeça. Essa que, por sua vez, mesmo presa, vive no ar, perto das nuvens. Por favor, preciso que tapeiem minha bela face. (pausa. celular bipando. Uma nova mensagem de texto.)

Uau, isso não deve estar acontecendo, ele respondeu! Que fofo, me desejou uma boa noite, disse que "está ficando mal acostumado". Agora ferrou de vez, não vou conseguir dormir porque ele respondeu, e não é ironia. 

Lembro que era uma quarta, mandei um sms besta qualquer, ele retornou com uma ligação que, pra meu espanto, durou quase 37 minutos - e eu nem sou dessas de ficar com a garganta seca de tanto falar ao celular. Fico pensando que se forem daqueles benditos jogos de azar, que então, possivelmente, futuramente, terei sorte no amor; contudo, se não for, por que diabos ele não cumpriu o trato de apenas termos ficado no "Oi, tudo bem?", de longe, depois que nos esbarrácemos por ai? 
Pra uma semana depois ele ficar dando toques no celular seguido de um sms: "Preciso de você". Dias depois, ligar às 5 horas da manhã, em pleno horário de repouso de minha beleza; vir almoçar na minha casa, no domingo, dia dos pais, e ter a cara de pau de dizer que vai ligar a noite, ligando mesmo e me fazendo ficar confusa! Eu o desprezo, digo que "não dá, não tem como, tenho um aniversário pra ir." Minto pra ele e curiosamente pra mim. 

Naquele momento eu estava quase na frente de um DJ, do DJ, pensando em outro alguém que era o próprio DJ. Era 'esse alguém' que eu gostaria de ter. Às vezes, penso que a cada vez que nos encontramos (eu e 'esse alguém', o DJ) é uma esperança a mais, mas é pura balela, pura ilusão, 'esse alguém' vai casar mesmo! "Então case, meu filho! Case com essa desconhecida Sabeláquem que te chifra de lá de Sabedeusonde." Pensei raivosamente em dizer. Não disse, não digo e nem direi apesar da amizade. Eu só esbanjava serenidade, e ao que via 'esse alguém' me olhando, demonstrava estar agoniada vigiando o celular, como de quem espera uma ligação - eu tenho amor próprio, pelo amor de Deus, e sei causar ciúmes alheios também, ai como eu sou bandida! - ao mesmo tempo que revoltada por não ter aceitado a estar com o 'Cara do Sms', o Rato - apelido carinhoso por mim dado e por ele desconhecido. Ô bicha burra! 

Quer saber, vou é continuar com os sms, pelo menos gosto do lance do jogo de gato e rato.  Eu penso no jogo, penso nele, mando sms, ele responde e tudo fica empatado: não sai do 0x0. Tô ferrada! Quê eu faço? Odeio perder, a não ser que estejamos falando de quilos, esses a mais nenhuma mulher curte. Em compensação, a palavra 'ganhar' é tão com ar de superioridade, soberba. 


Por mim, preferiria estar jogando frescobol, concordando com o mestre Rubem Alves: "O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom é preciso que nenhum dos dois se perca. (...) Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos..."


É isso aí, nada de deixar a bola cair, 'game over'. E sim contar até 3, apertar o 'Play' e depois 'Repeat', quantos forem necessários!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Como se portar: com porta ou sem porta.

Quer me ver 'virar o cão em pessoa' e mal-comportada? Deixe-me perto de uma porta aberta. (leia-se "porta" como objeto, lugar, coisas, seres animados ou inanimados)
Contudo, sou comportada, daquelas que, mesmo que de vez em quando e às vezes em horas impróprias, põe em prática os famosos: "com licença", "por gentileza", "por favor", "desculpa", "obrigada", "bom dia", "saúde".
Depois dessa, só não espero ser deportada... 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Devasso eu, Devassa ele, Devassos nós!


Era de manhãzinha. Assustou-se com o bater da porta. Levantou e correu para ver se conseguia alcançá-lo no corredor. Tarde demais! o beijo de bom dia seria agora de boa tarde, ou de boa noite. Mesmo assim, ao voltar para o quarto, deparou-se com um bilhete em cima da cômoda, com os escritos: 
"Você é linda mais que demais, você é linda sim!
Caetano Veloso pode até cantar a música, mas quem vê e tem a sorte de ter em mãos, sou eu, rá! Você é tão linda e inteligente que até me sinto importante como o Caetano Veloso - veja só que lisonjeio. Ficaria a eternidade e pararia o tempo, mas tenho que brincar de ser gente e ir trabalhar. Enquanto isso, cuide-se e sinta-se à vontade, ok? Ligo mais tarde para marcarmos algo. Desde já, te amo! Super Beijos, 

do seu, não-Caetano, ainda,
Allen."

Coração acelerado. Sorriso mais que estampado de orelha a orelha, quase rasgando a boca. Ao término da leitura, elevou o papel até seu coração, suspirou, e trouxe o mesmo até sua boca dando-lhe um beijo apaixonado, e até dizendo em voz alta: "Também já te amo, meu não-Caetano, Allen"  


Voltou para a cama, fechou os olhos e lembrou dos momentos incríveis que passara na noite passada: sentiu-se completamente realizada.

Deu uma vontade de pôr uma música do Caetano, fã incondicional, mas seria tão previsível quanto um clichê. (droga, isso foi um clichê!) 
As horas podiam passar, e o dia todo, se fosse necessário, que ela, ali, deitada, estava feliz. 

Depois de quase 1 ano trocando e-mails, morando em cidades diferentes, e com tantas compatibilidades, o que pensariam ser catastrófico, deu mais certo do que esperavam. Depois de algumas boas doses de indecisões e relutâncias, ele tomou coragem, comprou uma passagem de ida e enviou para que ela fosse ao seu encontro, passar uns dias em sua casa - não aguentava mais apenas ler aquela mulher, queria cantá-la olhando em seus olhos. Ele a queria tão perto quanto o ar que respirava, e o que ela menos precisava na hora que recebeu o e-mail, com a passagem em anexo, era ser lida - então ele era a resposta para inúmeras de suas perguntas.

Ele: indeciso, trovador, de humor inteligente, tímido, charmoso;
Ela: teimosa, peculiar, risonha, extrovertida, romântica, linda;
Eles? Encaixe perfeito, devassos, doidos e nada santos desde que estão juntos...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Gaúcho favorito diz: "Oi, minha paraense preferida!"

Começou com uma "cutucada" pelo Facebook, o que não causou espanto, mas, um leve sorriso meu: "será?!"
Recutuquei-o, era o mínimo a fazer - questão de educação, certo?! Corretíssimo!

Meu messenger estava aberto e vejo subir a janelinha:
- Oi, minha paraense preferida.

Eita, já gostei. Por que ele veio falando isso? Por que ele está tão longe? Ele foi o primeiro gaúcho que conheci e por tal lisonjeio, casaria com ele. Eu casaria mesmo se não tivesse largado tudo por lá e tivesse voltado para minha querida terrinha paraense. Revidei, dizendo:
- Preferida é? Tem mais, então? rsrs

Ele me surpreende, me deixa sem palavras, me ilude, como sempre fez e continua fazendo:
- (um coração) Ah, não não, tu és a única, amor! De todo o Pará, rsrs e digo mais, de todo o norte do país! :p :) 

"És um cafajeste, galanteador isso sim!" pensei em digitar. Não digitei, apenas chamei de "meu gaúcho favorito", pois ele é, de fato. Depois dele, há somente um outro, que conheci aqui mesmo, há algumas semanas e por quem já até cortei relações por possíveis-piores-catástrofes.
Ah, os gaúchos. Eles têm um quê de pecado, um quê de juízo. 
Ah, os gaúchos. Eles que não tem "a cor do pecado", que são conhecidos por terem "gélidos corações", e por serem bonitos, educados, fogosos.
Ah, os gaúchos. Esses que arrebatam meu coração, me laçam e me pegam de jeito. 
Ah, os gaúchos dessa minha vida, mil perdões pelo desdenho, juro não mais 'bater com a língua nos dentes' - exceto em outras ocasiões...

Será que tenho que trocar o Pará, o Ceará, o Paraná, e os restantes dos estados brasileiros, pelo Rio Grande do Sul?
Se for, ano que vem, visitarei, novamente, aquela terra. E antes de ancorar em Jaguarão, chegarei em Porto Alegre, passarei por Camaquã e pararei em São Lourenço. Motivo? Responder algumas das perguntas que ele tanto me pertuba: será que sim?

Eu diria, 'I do'.



p.s.: dedicado ao M.G. de Jaguarão-RS. saudades.