terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quando cheguei em casa lembrei que...

Duas luas no céu azul da tarde - luas cheias da prata de luzes serenas.
Ao lado, o majestoso pôr-do-sol brilhava,
dividia o espaço com suas morenas.

O barco, cheio de amigos, para uma desconhecida vila seguia.
No meio do caminho, parava num sítio ribeirinho,
para ir ao banheiro eu descia.

Uma bolsa com a câmera fotográfica, eu tinha em mãos.
Mudas de roupas, na mochila, acrescentava.
era quase noite e eu ainda via as luas,
"cadê o barco?", vi uma amiga desesperada,
"calma, ele volta, nós vamos! se ficar uma, ficam as duas!"
e, de repente, no sítio, já era madrugada.

O barco voltou, seguimos em frente.
Chegamos no devido local.
Um violão preto, de cordas de nylon, pequeno
uma garota havia levado.
Como ninguém, no barco, havia percebido?
"Ah, dá pra Suede, ela toca!"
E então me deram,
fiz um 'dó' e ele tava todo desafinado!

Tentei afinar como manda o figurino
as cordas eram mais frouxas que o mais covarde dos covardes.
na hora, pensei em comprar um violino,
mas logo desfiz o pensamento: calo em dedo arde, arde!

Vimos dois caras se aproximando.
Disseram: 'tocamos pagode'
a música era: "O nome dela é Sissy, Sissyntindo, se achando..."
um estava com um violão, e o outro só cantando.

De repente, todos começaram a se mandar.
Uma amiga se aproximou:
"Ei Suede, vamos pra casa da Zilda, 
lá tá tendo festa, é um bar".

Segui o grupo de cinco pessoas
cantando e dançando, seguindo a canção.
enquanto isso, as luas, lá no alto, continuavam,
enquanto isso, chegávamos perto de uma bela de uma mansão.

adentrávamos o portão dos fundos,
para surpresa, tinha um danado de um bravo cachorrão
grande, preto, de dentes afiados, 
quase todos queria morder, 
quase todos, a mim não.

eu conseguia passar pelos cachorros, adentrava a casa.
haviam outros obstáculos, que não recordo.
parecia fase de videogame, série, filme,
quase que não acordo.

no final, havia uma escada -
era de subida.
com o marido e a filha, estava a tal da Zilda
sentados, felizes, tomando café da manhã ao redor de uma farta mesa,
e eu, cansada, fula da vida.

outras pessoas chegaram até lá
não subiram a escada ou coisa do tipo
exclamavam soberbos: 
"nossa, é tão fácil chegar aqui"
e eu com raiva, pensava com meus botões:
"essas coisas de 'sofrer' só acontecem comigo,
essas coisas só acontecem pra me fazer rir..."

Da desgraça alheia sorrindo era o que faziam.
queria tacar uma bomba nesses bandos de abestados
eles tiveram sorte, 
meu despertador a gritar começou,
não tem remédio que cure trabalho,
muito menos atestado
que alegue qualquer dor.



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