Era tarde de domingo e voltávamos, minha família e eu, da casa de um tio há 5 km do centro, onde moramos.
No meio do percurso, avistei, lá de longe, esse casal caminhando pela rodovia. Pra eles não importava se era fim de semana, se podiam estar curtindo uma bela praia ou muito menos praticando a filosofia do ócio: assistindo um filme ou programação da tv, descansando no sofá de sua cômoda casa, comendo pão ou tomando café. Não.
O prazer à prática do esporte era maior, superior a todas regalias e até mesmo ao calor insuportável, que naquele momento fazia.
Lembrei de um dia ter recebido um e-mail com o título: "Aula de Gestão". Era assim:
"Na África, todas as manhãs, o veado acorda sabendo que deverá conseguir correr mais rápido do que o leão, se quiser se manter vivo. Todas as manhãs, o leão acorda sabendo que deverá correr mais que o veado, se não quiser morrer de fome. Conclusão: Não faz diferença se você é veado ou leão, quando o Sol nascer, você tem que começar a correr."
O casal, não estava na África e não sabiam da tal aula de gestão (natural), mas já acordavam sabendo que pra se manterem vivos precisavam caminhar, correr o quanto pudesse, independente das condições climáticas ou dia da semana.
Todos os dias, pela manhã, quando acordo, o meu primeiro pensamento do dia é: "Mas já? Amanheceu tão rápido! vai começar tudo de novo, ah não...". E mesmo assim, batendo os pés, tropeçando pelas paredes, cambaleando de sono, parto pra luta e sigo. Sigo matando vários leões, começando, de cara, pela preguiça e moleza. Ao longo do dia vou matando a fome, a sede, o sono. É como se tivesse escalando, subindo montanhas e montes. Nesse meio tempo, continuo a matar, mas agora pessoas: de rir!
Tento fazer o bem mesmo estando mal-humorada, com dor de cabeça, tendo a unha roída, o cabelo ressecado, o coração ferido. Jack, ops, já que pra se manter viva é preciso enfrentar os limites, medos e aflições, assim o farei - e da maneira mais prática, barata e divertida, possível, ou seja, sorrindo! (até com os olhos, com o fígado, com os ouvidos...).
Nesse dia de hoje, corrido à beça, em meio a crises, violências, mortes, caos e horrores, sugiro corrermos contra o tempo junto com a controvérsia e principalmente pôr em prática o inverso proporcional da palavra 'matar':
- que nos matemos de risos espalhando infinitos sorrisos;
- que matemos a fome e não desperdicemos comida;
- que possamos matar nossas gulas olfáticas diante de livros novos, desabrochar de flores, perfume de talco de neném;
- que nos matemos de amor, correndo sempre para mais um, de vários e infinitos, abraços;
- que saibamos matar a preguiça com muito ócio, afinal 'tédio é para os sem inspiração';
- que matemos a frieza daqueles que desmatam a mata;
- que matemos no trabalho o mau atendimento e arrogância, com: "bom dia, boa tarde, por favor, com licença";
- que matemos a indisposição e pratiquemos esportes, ...antes que a lombriga nos mate e nos leve para uma vida solitária.
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