domingo, 15 de abril de 2012

El casório de Jose Cuervo y Mariana


O vestido era vermelho, quase sangue vivo. Tinha a saia rodada pra combinar com o quadril oval e a fina cintura. Para a saia ficar armada, usava, por baixo, uma anágua dourada, quase que para uma balada de tão que era arredondada.

Hiperativa, Mariana não parava um só minuto: onde quer que fosse atiçava fogo, punha chama em qualquer ambiente, em qualquer santo (nem São Francisco escapara), pois esbanjava, sambava e flambava alegria aos ventos, contagiando a todos, a tudo.

José Cuervo, moço de família nobre mexicana, recatado, sonso, às vezes, andava cordialmente junto de um cara albino, de alma cristalizada, e de outro, grande, robusto, respectivamente atendidos por Sàul e Lemón, seus melhores amigos.

O encontro dos dois, que demorou para que acontecesse, quando aconteceu foi de arrebatar: paixão a primeira vista. Como de praxe, Mariana chegou conquistando e tomando conta da festa, enquanto que a timidez de José o fizera ficar em segundo plano, propositalmente, porque uma vez tomado pela dança de Mariana, José, agora destemido, incendiaria aquele lugar, beberiam um ao outro e se preencheriam de doses triplas e em taças que transbordavam felicidades.

Fora uma das melhores noites. Noite cheia das danças, luzes, cores, gargalhadas. Noite que, de agora em diante, combinaremos de comemorar a cada semana ou mês a data do casamento que entrou pra história, para brindarmos e salvarmos na memória a bela história de um casal, que mesmo opostamente contrastando peculiaridades, fora bebida por uma apresentação harmoniosa e espetacular.


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