sábado, 21 de maio de 2011

Para MegNaRuaHimmel

Oi!, ei, eu sonhei contigo: tu eras mãe!
[Na verdade, foram dois sonhos: um de ontem e outro de antes de ontem. O que tu eras mãe foi o de antes de ontem, e hoje, quando te chamei, pela manhã, era pra contar-te sobre os dois - antes que esquecesse. Acabei esquecendo o de ontem – grande mente a minha, que tu conheces e sabes um pouco, não é verdade? Não, não é verdade...
Ultimamente tenho me sentido um zero à esquerda, sem coragem pra falar sobre qualquer coisa - é como se tivesse medo sobre o que tu fosses pensar ou deixar de pensar sobre qualquer coisa que fosse que eu tivesse pensando. 
Na maioria das vezes são besteiras, birras, aberrações que acabo cometendo ou não; são apenas pensamentos, ações que gostaria de ter feito, que idealizei e que gostaria de pôr em prática, devaneios que gostaria de compartilhar mas que quando estamos cara-a-cara, paro e penso: "que babaquice, eu que não vou tomar seu tempo falando sobre isso, fala sério!". 
Desde então, me mantenho em estado de planta menor: muda! Muda e com minha cara de antropóloga, olhando ao redor, que é bem mais interessante. 
Vejo que ficas a fazer a mesma coisa, talvez imitando a minha cara antropologista ou observando o mundo com olhares apetitosos. 
Por quê sobre isso? Tenho me questionado há algum tempo, há algumas semanas ou meses. É quando lembro que em outras épocas, logo quando a conheci (não que agora a conheça por completo), se fosse em outra ocasião, já teria mandado uma mensagem de texto avisando que teria te mandado um e-mail relatando minuciosamente sobre o sonho. E no entanto, estou aqui, catando milhos e milhos. Descrever o sonho que é bom, nada! Pois vamos lá:
O pouco que restou: sonho: Tu eras mãe.

Estávamos numa roda,
 juntamente com nossas irmãs: a minha e a tua. Pernas cruzadas, sentadas em cima da areia, em volta de uma fogueira. 
Era noite, parecia um luau, uma praia.
Num determinado momento tu comentavas que teus seios estavam doendo:
- ixi, já vou pra casa, meu filho tá com fome! - tu resmungavas.
- traz ele pra cá, pra gente conhecer, vai ser legal! (era como se ele tivesse uns 6 meses e tivesse nascido ontem!) - eu te fazia o pedido encarecidamente.
- rum, aquela desgraça! tenho que passar na casa de onde ele está pra poder dar de mamar. (ele não era criado por ti, ficava na casa de uma outra família, e vez ou outra que ia vê-lo, por isso não o conhecíamos. em outra comparação, era como se o pai fosse um ficante qualquer, que aparecia em algum fim de semana e a gente exclamasse: 'desenterra!') 
Continuando o diálogo:
- então! Daí vocês vem pra cá... (a gente implorava pra tentar conhecer a criança)
- quantas vezes tenho que soletrar que ele é um karma na minha vida?! (tom de raiva)
- eeeeita! Só porque foi um caso, não quer dizer que ele tenha entrado na tua vida ao acaso! (minha irmã surpreendia)
- pois entrou! (respondeste em tom de desdenho) – mas, bora ver, talvez traga mesmo...
- acho bom, porque eu sei que tu não és assim. Esse jeito maldoso de ser não tem nada a ver contigo, essa situação toda não combina contigo: ser relapsa, covarde, rude! Eu sei que tu és sonhadora, do bem, com um generoso e solidário coração. (retruquei)

Tu ficastes calada. O olhar era cabisbaixo, envergonhado. Senti um aperto no peito e uma baita vontade de te dar abraço reconfortante. Eu iria dar, juro. Só que acordei. Deixa pra próxima então.

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