sábado, 9 de junho de 2012

Mais uma da série: toda vez...

Andava numa cidade desconhecida com a Tutu. Para voltar pra casa tínhamos que comprar as passagens de ônibus. Deveríamos pegar um ônibus chamado 'Boliva'. Fui ao terminal rodoviário e gastei o último dinheiro que tinha com nossas passagens. Perguntei o horário que o ônibus sairia e o senhor respondia:
_ah, é agora às 19h.
_mas meu senhor, são 18:58h! - quase enforcando seu pescoço.
_pois é, acho bom vocês correrem...
E foi o que fizemos: peguei no braço da Tutu e saimos correndo em direção ao ônibus, que estava a uns 500 metros dali. Sem sucesso, porque acabamos perdendo o bonde. Fiquei com muita raiva. Neste momento, uma amiga apareceu:
_Para tudo! o que tu fazes por aqui? nem avisa que tá na cidade - como se eu já tivesse ido muitas vezes, como se ela morasse há muito tempo por lá.
_Pô, só tô dando uma passadinha, vou levar minha irmãzinha em casa e volto pra cruzarmos a ponte, quero ir nos frees shops. Bora?
_Rsrsrs bora! fazia tempo que não escutava isso. Que horas então?
_Mana, eu nem sei porque acabei de perder o busão e não tenho mais um centavo!
Estava quase anoitecendo quando dei uma olhada pro chão. Meus olhos brilharam quando vi ali o problema do dinheiro resolvido:
_Espera, J-J! tu vais comigo agora. Vem, Tutu, me ajuda a achar moedas na rua, assim como essa. - e mostrava pra Tutu uma moeda que havia acabado de achar na rua.
Começamos a recolher moedas. Parece que minavam em calçadas, embaixo de mesas e cadeiras de bares, de carros, em frente de lojas... Umas eram de 0,25 e 0,50 centavos, outras de 1,00 real. Umas eram em real, outras em peso uruguaio, peso argentino, peso paraguaio, dólar, e outras moedas que não tinha noção de onde eram e nem de quanto valiam.
Após 15 minutos, tínhamos conseguido tantas moedas que quando retornei ao terminal rodoviário o cara se assustou em dizer que não teria como fazer o câmbio de todas as moedas para o real (a moeda) porque não tinha dinheiro suficiente. Pedi apenas que me desse a minha passagem, a da Tutu e a da minha amiga. De repente, não havia ônibus, nem Tutu, nem ponte alguma, apenas minha amiga, eu, e muita gente estranha, o céu azul, as flores e folhas caídas no chão e uma paisagem de cair o queixo de tão bela:
_Estava com saudade, adorei esse lugar! - confessei com uma pitada nostálgica e gosto de quero mais.
_É, eu também... - ela respondeu sabendo disso.
Nos despedimos e, no final, acho que perdia o avião. Ah não, de novo a mesma história de sempre!

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