quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"O lobo da Estepe": entrada para raros; só para loucos.

"Uma vida fácil, um amor fácil, uma morte fácil – tais coisas não eram para mim."



Fui terrivelmente cruel com Hermann Hesse e, principalmente, comigo mesma. 
Como pude ter deixado passar tanto tempo, deixando de lado e estagnando uma leitura como "O Lobo da Estepe", na melhor parte? Me redimi antes que não houvesse perdão. Conclui em apenas dois dias o que adiei por uma gestação por quase 9 meses! 

Fora um desafio e tanto. O livro me perturbou muito, diria que foi o mais conflitante de toda minha vida - ou pelo menos até agora. Nunca pensei que seria tão difícil ingeri-lo e digeri-lo. Por tal, passei por momentos em que senti náuseas, vontade de devolver tudo aquilo, pois parecia que cada frase, cada parágrafo, cada página, me tapeava como em um espelho, devido a audácia, a invasão de privacidade. Ah claro, digo até entrar na parte do "Teatro Mágico". O letreiro que encontrei numa das portas ao chegar no Teatro foi: 


"PASSAGEM SÓ DE IDA. SINAL VERMELHO ABERTO: SIGA EM FRENTE E VIVA SEM RISCOS."

Entrei e daí por diante as coisas pioraram. Porém, fui mais forte, mais rápida que o Lobo. Devorei o livro de uma maneira que não dera tempo de me expor, de auto flagelar-me, e, consegui!





Harry Haller, por outro lado, amou tanto a arte, a literatura, o mundo; e odiava tanto a si mesmo, que acabou isolado, longe da sociedade. Não suportava a ideia de que o mundo, um dia, o entendesse, de que alcançasse a felicidade, a segurança, a singularidade.

Devido aos vários "eus", no fundo, acabamos deixando de lado ideais por conta do que impunha a sociedade. Quantos não se isolam por acreditarem serem um completo zero à esquerda diante do que nos é imposto? Quantas pessoas não estarão ocultas por aí? Fico pensando...

Por fim, eis um alívio. Estou bem mais calma.
Seguirei com a saga partindo para o livro "O Jogo das Contas de Vidro". 
Que venha!






Nenhum comentário: