segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pratodahora

Na noite, espinha.
Na garganta, o nó.
"engole a farinha"
elas diziam (e só).

Era em tom de pena,
Era em tom de dó.
Era saudade pequena,
fina e macia,
como pão-de-ló.

Desengata a ré,
desembesta por lá,
dez é poder sobreviver
sem espinha, sem farinha,
sem se engasgar.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Psicodoidia


Me perguntaram:

- E psicologia? Já terminou?
Paralisada. Estática. Muda. Continuei assim. A pessoa prosseguia curiosa:
- O curso, teu curso de psicologia, terminaste? tu não havias começado?
Franzindo a testa. Fixando os olhos. Cerrando os lábios. Continuei assim... pensando.  
- É o terceiro? quarto ano que tu fazes? ou já terminou?
Terceiro, quarto ano? Vasculhar na mente, era só o que tentava fazer. Não recordava dessa parte: psicologia? Faço psicologia, fiz psicologia ou estou fazendo psicologia?
Quem seria o perturbado da vez: meu eu desmemoriado, desentendido, burro; ou, esta mulher escrachadamente perigosa com suas perguntas capciosas pra cima de mim?
- Não, minha senhora, não fiz psicologia, não faço psicologia e nem estou fazendo.
Sob domínio de olhares lastimáveis, dirigiu-me novamente a palavra:
- Mas eu jurava que você fosse desse ramo, estivesse nesse ramo ou caminhasse rumo a ele...
Com as pernas levemente bambas, e uma dúvida consumindo a alma, não fraquejei e fui fiel:
- Tenha uma doença, não sou psicóloga e nem posso ser. É apenas um hobbie. Não misturo hobbies com trabalho. Hobbie é o que de melhor há numa pessoa, um destaque, um talento, um passatempo divertido. O trabalho, não. O trabalho é um hobbie que consome todo teu tempo, onde não passa o tempo, e ainda expõe o melhor dos piores dias da semana através da prática do capitalismo; sendo assim, dinheiro é a forma mais barata de se comprar um hobbie. E, se for pra gastar tempo com o que de melhor faço, à custa de dinheiro, prefiro morrer aos poucos a ter de perder este dom supremo. Além do mais, como pode uma doente persuadir outro doente?

A senhora estava sem fôlego. Atônita. Os olhos arregalados, principalmente quando disse: "tenho uma doença". Pude notar maior expressividade neles, dilatando cada vez mais as pupilas, não lhe importando o restante do que havia dito:
- E que doença terrível é essa?
Complacente, respondi:
- Ainda não fui meramente diagnosticada. Minha psicóloga está de greve.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Happy valentine's day

Estava ansiosa, o pedido parecia não chegar, quando apareceu, pela manhã, perto do meio-dia, o carteiro portando um pacote onde meu nome estava descrito. Ô beleza, chegou! A primeira parte do meu presente do dia dos namorados chegou: Herbie!: uma luva bate saco na cor flamenguista, e com características arrendodadas, lembrando um fusquinha turbinado - ao qual terei um dia, se alguém quiser vender (ô trem difícil é achar alguém que queira vender. ter um fusca não é pra qualquer um, tem que ter disposição e ser muito apaixonado por um carro que pra muitos é um 'nada'.
Voltando ao presente, espero que a segunda parte chegue logo. Quero exercitar minha raiva, extravasar!
Vou agora verificar se foi possível resgatar a Penélope Charmosa, meu presente do dia dos namorados do ano passado, um celular rosa e branco, um chamego já criado, que se afogou há alguns meses.
hasta!  

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Com que roupa eu vou?


Desde a divulgação da data que venho pesquisando a fantasia da vez. 

No ano passado, já pensava na Velma do Scooby Doo. Uma saia, aquela blusa de frio (uma das únicas que restou) jogada em algum lugar no armário, um par de meias até o joelho, uma das sapatilhas vermelhas, mais os óculos, o tamanho do meu cabelo, meus quilos extras, e tcharan: ficaremos quase idênticas! 

Mas espera mais um pouquinho, pois queria algo mais 'alcóolico', engraçado, divertido. Tava bebendo em algum lugar quando fixei na tulipa de cerveja. Tratei de queimar mais neurônios imaginando: um vestido tomara que caia amarelo com a parte do busto branco. Um slogan no meio da barriga, e...? Fantasia de Cerveja! Genial! Até encontrei no google algumas pessoas com alguns modelitos, e a que mais se aproxima, e até curti o 'devassas', é essa:


Então a Talitas me chega mostrando uma foto no celular: um coringa do batman, mulher! Pôooo, que massa!
_ Hein, Suede, podíamos ir de vilões...
_ Até porque só vai dar Mulher Maravilha, Mulher Gato...
_ E essas já são manjadas, errggh...
_ Aham.
_ E a gente pega um vilão homem, que não vão ter muitos...
_ Damos um toque feminino...
_ Éeeeeeeeegua, vai ficar firme!
_ Pô, Talitas show de bola. Vou de Fred Kruger!: é só pegar uma camisa do flamengo, uma calça, um chapéu, e as unhas grandes, que estarão pintadas de Vermelho Desejo Risque hehehe


  Mas o melhor seria ir com meu super poder-que-ainda-não-tenho: de invisível!

domingo, 10 de junho de 2012

às vezes a vida é chata, mas ser platéia é pior


"Às vezes quando eu vou à Augusta 
o que mais me assusta é o teu jeito de olhar 
de me ignorar
Toda em tons de azul
Teu ar displicente invade meu espaço
E eu caio no laço exatamente do jeito
Um crime perfeitoIt's all right, baby blue

Não sei em qual festa que eu te garimpei
Cantanto "lay mister lay", será que foi no meu tio?
Ou em algum bar do Brasil...
Sei lá, eu fui mais de mil

Cheguei bem tarde, o vinho estava no fim
E alguém passou o chapéu pra mim e gritou
É grana pra mais bebum e eu não paguei
Reparo em sua roupa, na loira ao seu lado
No seu ar cansado que nem mesmo me vê
Olhando pr'ocê, pedindo outro "fernet"
Será que não chega, já estou me repetindo
Eu vivo mentindo pra mim
Outro sim, outra "trip", outro tchau
Outro caso banal, tão normal, tão chinfrim.
Às vezes eu até pego uma estrada
E a cada belo horizonte eu diviso o seu rosto
A face oculta da lua
soprando
ainda sou sua".
Mas que droga, o festejo já pode acabar. Eu deixo (você ir).

sábado, 9 de junho de 2012

Mais uma da série: toda vez...

Andava numa cidade desconhecida com a Tutu. Para voltar pra casa tínhamos que comprar as passagens de ônibus. Deveríamos pegar um ônibus chamado 'Boliva'. Fui ao terminal rodoviário e gastei o último dinheiro que tinha com nossas passagens. Perguntei o horário que o ônibus sairia e o senhor respondia:
_ah, é agora às 19h.
_mas meu senhor, são 18:58h! - quase enforcando seu pescoço.
_pois é, acho bom vocês correrem...
E foi o que fizemos: peguei no braço da Tutu e saimos correndo em direção ao ônibus, que estava a uns 500 metros dali. Sem sucesso, porque acabamos perdendo o bonde. Fiquei com muita raiva. Neste momento, uma amiga apareceu:
_Para tudo! o que tu fazes por aqui? nem avisa que tá na cidade - como se eu já tivesse ido muitas vezes, como se ela morasse há muito tempo por lá.
_Pô, só tô dando uma passadinha, vou levar minha irmãzinha em casa e volto pra cruzarmos a ponte, quero ir nos frees shops. Bora?
_Rsrsrs bora! fazia tempo que não escutava isso. Que horas então?
_Mana, eu nem sei porque acabei de perder o busão e não tenho mais um centavo!
Estava quase anoitecendo quando dei uma olhada pro chão. Meus olhos brilharam quando vi ali o problema do dinheiro resolvido:
_Espera, J-J! tu vais comigo agora. Vem, Tutu, me ajuda a achar moedas na rua, assim como essa. - e mostrava pra Tutu uma moeda que havia acabado de achar na rua.
Começamos a recolher moedas. Parece que minavam em calçadas, embaixo de mesas e cadeiras de bares, de carros, em frente de lojas... Umas eram de 0,25 e 0,50 centavos, outras de 1,00 real. Umas eram em real, outras em peso uruguaio, peso argentino, peso paraguaio, dólar, e outras moedas que não tinha noção de onde eram e nem de quanto valiam.
Após 15 minutos, tínhamos conseguido tantas moedas que quando retornei ao terminal rodoviário o cara se assustou em dizer que não teria como fazer o câmbio de todas as moedas para o real (a moeda) porque não tinha dinheiro suficiente. Pedi apenas que me desse a minha passagem, a da Tutu e a da minha amiga. De repente, não havia ônibus, nem Tutu, nem ponte alguma, apenas minha amiga, eu, e muita gente estranha, o céu azul, as flores e folhas caídas no chão e uma paisagem de cair o queixo de tão bela:
_Estava com saudade, adorei esse lugar! - confessei com uma pitada nostálgica e gosto de quero mais.
_É, eu também... - ela respondeu sabendo disso.
Nos despedimos e, no final, acho que perdia o avião. Ah não, de novo a mesma história de sempre!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Moon Walk

Vamos saudar e agradecer por esse belíssimo presente que, abrilhantando o céu, colorindo meus olhos e platinando meu coração, devora meus anseios e minha morada.
Lua cheia, obrigada por existir! 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Segundo recomeço

No meu segundo recomeço terei:
- 3 meses de sossego.
- 3 meses de nostalgia.
- 3 meses para matar uma saudade que não tenho mas que de alguma forma em mim existe.
- 3 meses para encontrar um grande amor, outro grande amor.
E principalmente,
- terei 3 meses para me encontrar!

sábado, 2 de junho de 2012

De banda

Mergulhou nas límpidas águas azuis.
Saboreou o salgado mar com prazer.
Contemplou o espetáculo de paisagem.
"Será que é sonho? Se for, Deus, não me acorde, por favor! minha realidade é cruel, e eu sei que o senhor não se iguala a ele - sim, da tal realidade!"

Vou andar e voar caminhos.
Percorrer trilhas sonoras da vida, seguindo o horizonte, dançando sobre pedras.

"Lembra, meu filho, passou passará."
Vou andar e voar como passarinho.
"Que vai chover para que flores não faltem".

Presente em todas as jornadas, estarei pra aprumar ao seu lado sempre.
Presente em todos os jornais, estarei indo pro mar...

ao seu lado,
um dia.






quarta-feira, 30 de maio de 2012

Keep Calm

"Keep calm and carry on". "Mantenha calma e siga em frente". 

A famosa frase do cartaz espalhado na Inglaterra, no comecinho da segunda guerra mundial, foi ideia do governo inglês para ajudar a manter a calma da população inserida naquele ambiente de pânico.
Não sei se foi ideia dele também (do governo inglês), o que provavelmente não, me fazer acordar com esse alerta pior que semáforo, e mais parecendo pisca-pisca de natal, cheio do vermelho intenso 'cheguei', e  uma frase em caixa alta, imperativa ao cubo do quadrado: KEEP CALM AND CARRY ON, como meta do dia de hoje: Socorro!

 

Manter a calma. Mantenha a calma. Como vou manter uma calma que não tenho? Em pleno começo de TPM o que mais quero É TER CALMA! E no entanto, só tenho cama. Cama e vontade de dormir - e dormir é o que de melhor faço nesses momentos de medo e pânico, depois de comer muito chocolate branco, claro.

Keep calm. Sim, vou ficar calma, não esquenta. Daqui a alguns alguns dias - que irá se repetir logo no próximo mês, e repetirão durante uns bons anos, claro. 
Sim, ficarei calma e seguirei adiante, quieta aqui no meu canto, curtindo uns filmes (e chorando nos finais), lendo alguns livros (e rabiscando com traços nada retilíneos algumas frases), baixando algumas músicas (de cantores desconhecidos só por causa das letras), rascunhando alguns escritos (enquanto lavo louça ou, no celular enquanto trabalho). Tudo isso, diretamente do conforto de minha cama, curtindo aquele vento do polo sul, que sopra do Iglu, e que não rima com mais nada, querendo mesmo, de verdade, manter a calma...

com descontração etílica, bebendo aquela cerveja estupidamente gelada, e...

ligando pro Batman... porque todas as mulheres precisam de um, principalmente quando se perdem ou perdem a calma.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Maio


'Maio, já está no final
e o que somos nós, afinal?


É hora de se mover pra viver mil vezes mais.
Esqueça os meses,
esqueça os seus finais,
esqueça os finais.'

Estamos em maio. (sério?) E maio me lembra essa música do Kid Abelha. E lembrei dessa música e do Kid Abelha por causa do filme "The Secret life of bees" (A vida secreta das abelhas). 

Porra! o que é esse filme? e pra piorar, fui arrebatada por lágrimas em pleno começo de TPM. Preciso revê-lo por conta da trilha sonora, das cenas, da belíssima fotografia e espetacular atuação da Dakota Fanning (um E.T.zinho mirim, já adolescente), e das cantoras (e atrizes, pois é) Alicia Keys, Queen Latifah e Jennifer Hudson.

Por fim, preciso de um muro de lamentações. E de um pouco de mel. Isso. Só e basta.
Luz e amor.
Boa sorte!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Clichê

Numa era de repetições, onde ninguém mais pensa (só copia e transcreve), evidencia-se:
- a morte do diálogo, uma vez que a solidão se alastrou, contaminou e amedrontou uma multidão pilhada em se esconder da violência e do horror;
- e, o nascimento dos monólogos, preferindo a pessoa viver essa sequência nostálgica de reprises, ilhada no seu próprio mundo por conversar com ela mesma.

Isso tem me deixado confusa. Confusa a ponto de não conseguir exprimir uma sucessão coerente de palavras a qualquer pessoa (ou o leitor) e cometer, de fato, a morte do diálogo; e ao mesmo tempo, estar cheia das frases, vírgulas, parágrafos,  a ponto de provocar um monólogo-reality-show-da-vida-real, ou uma sitcom!

Enquanto isso:
- o Restart faz sucesso com a meninada;
- "O pequeno príncipe" é muito mais que livro 'pra criança';
- o protetor solar protege o humano e não o sol! (nunca entendi essa expressão)
- a resposta da frase: "o que você levaria para uma ilha deserta?", mudou de "uma rede, fósforo e faca" para "um notebook e celular porque com certeza até lá vai ter internet!";
- e eu, que descobri ter um talento inato para os origamis, assim como sei que você aí, também, tem, rá!

Confusão por confusão, ser 'escandalosamente feliz' seria uma repetição do qual não me importaria se tivesse 'all the time', todo o tempo.
Oss!
Paz e luz.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ireland


O roteiro que vinha preparando desde a viagem feita pra Belém, pro Oktoberfest em Blumenau, seguido por um breve retorno em Jaguarão e uma esticada para Montevidéu e Buenos Aires foi para o espaço. Poisé, poisé, poisé, poisé. Surgiu um pequeno imprevisto a médio/longo prazo, e para que o objetivo e o prazo seja cumprido, terei de economizar cada centavo.
Vou explicar. Dentre um ano. Um ano? Não, um ano não. Em um ano e meio. Um ano e meio?

Dois anos? Isso! Dois anos é o prazo estipulado. Daqui dois anos desembarcarei na ilha das Esmeraldas. E quando digo: 'é o prazo estipulado', quero dizer que é o prazo definitivo para morar, no mínimo, 1 ano na Irlanda; seja em Dublin, Cork, Galway, Bray, Ennie, ou qualquer cidade deste país, lá estarei.

A ideia não veio assim de supetão. O lance estava a todo vapor quando pintou a ida pra Jaguarão. Depois que de lá retornei e aprendi a curtir mais minha cidade, minha família, meus amigos, minha raiz, minha origem, a decisão passou a rondar novamente. Mas é aquela coisa: calma, muita calma.

Comecei a pesquisar os tipos de intercâmbios. Primeiramente pensei em tirar férias e fazer um curso de 4 semanas no Canadá. Então, vi um curso de 3 meses (12 semanas) pro mesmo destino e praticamente o mesmo valor. Depois pensei: "Por que Canadá? Por que um país americano se o que me chama atenção é a Europa?"
Foi então que minha tia - que mora há alguns bons anos em Nantes (França), veio passar férias e acabei aproveitando pra tirar algumas dúvidas. Tentei seguir seus conselhos pra, ao menos, estudar por lá. Tentei aprender francês e não consegui. Talvez seja a velhice: inserir uma nova língua, assim, do nada, é demais. Pra cantar até consigo. A única música que arrisco mais ou menos em francês se chama "La demeure del ciel" da cantora Camille, e algumas da Carla Bruni. A pronúncia sai chinfrim, eu sei, mas pra escrever e lembrar, esquece, não adianta. Desisto!

Passei a verificar uns cursos em Londres. Os preços são bem legais. Lembrei do meu primo Junior Baima. Pensei: "pô, se o Junior morou em Londres, eu quero morar em Liverpool! deve ser o máximo!". Fui procurar cursos de inglês em Liverpool e, na verdade, não encontrei muitos pacotes. Deixei de lado. 

Um belo certo dia vi nas atualizações do facebook uma ex-colega de ensino Médio, a Vivi, com fotos na Irlanda - Dublin! Que linda a paisagem! E logo a Irlanda, país dos meus queridos The Corrs, U2, Enya, James Joyce; e, logo, Dublin, cidade-capital das histórias de Marian Key. Eu quero! Alguns dias depois, vi o Caio, um colega administrador que conheci no congresso de ADM em 2008, em Goiânia, com atualizações de fotos também lá da Irlanda, de uma cidade chamada Bray.   

Assistindo o "Vai pra onde?" com o Bruno de Luca (no multishow), vi umas matérias em Belgrado (Sérvia), e recentemente na Austrália, nas cidades de Melbourne, Sidney, Brisbane... uau! Que lugares! Fiquei na dúvida, confesso, principalmente em relação a Brisbane, já que Austrália tem características climáticas bem parecidas com a do Brasil.

Não teve jeito: a Irlanda falou mais alto. Saint Patrick falou mais alto. Enya cantou mais alto. Até o cenário do filme 'P.S. I Love You' falou mais alto. Sem contar nos livros da Marian Keys que também falaram e gritaram bem alto: 'Irlanda, Irlanda, Irlanda'.

Fui verificar os tipos de intercâmbio e fiquei besta com a facilidade para imigrantes estudarem e trabalharem no país. Fiquei mais besta ainda com o preço dos pacotes:
- se no Canadá eu iria pagar por um curso de inglês de 12 semanas, não podendo trabalhar, por R$ 3.900; 
- na Irlanda, eu consigo um pacote de 25 semanas de curso de inglês + 25 semanas de férias (trabalho); sendo que nos primeiros 6 meses poderei trabalhar 20 horas semanais e no período de férias, 40 horas semanais; com acomodação de 2 semanas, transfer, seguro saúde, seguro governamental e taxas de matrícula, por R$ 3.500,00! E eu vou poder trabalhar pra recuperar o valor investido! Eu quero. Eu vou!


O pior é encarar a dona Suely e dizer que vou embora mais uma vez. Mas ela já tá sabendo de relance, ela sempre soube que Itaituba é pequena demais pra mim, e pra falar a verdade, nem se preocupou tanto. Ufa! Eu é que já fico com um frio na barriga, estou com um frio na barriga. Deixo passar, até lá há um largo espaço de tempo. E tempo é o que quero pra continuar curtindo minha cidade do Tum-Tum, curtindo o sol de rachar a cara, apreciando o rio Tapajós e todas as paisagens, comendo peixe e me engasgando com as espinhas, tomando suco de acerola... comendo farinha, hum...

No mais, é isso. Irlanda aí vou eu. No segundo semestre de 2014, me aguarde que desembarcarei em ti. 

Boa Sorte! (o trevo já ajuda)
Good Luck!

domingo, 20 de maio de 2012

Desafio dos 50 dias

Vi no facebook de um amigo. Cliquei e fui ler as condições. Achei legal. Pensei: "Vou topar essa parada, mas não aqui no face, e sim lá no blog". Corri pra cá. Mas aí pensei de novo: "Pô, 50 dias pra consumir o blog desse jeito, não. Esse desafio vale a criação de um outro blog." Então, assim, ao longos desses 50 dias, me dedicarei também a este desafio. Vou já criar uma página pra anotar os dias, senão esqueço, e foi.

Start!

sábado, 19 de maio de 2012

Sobre ter 100 bolsos

Era feriado de dia trabalho, e por conseguinte, véspera do meu aniversário. Quando chegamos nessa festa já havia começado há horas - era a segunda que frequentávamos. Não fazia muito tempo em que havíamos chegado e achado um lugar pra ficar, quando ele chega com um sorrisão.
- E aí Junior? Quanto tempo!
Já havia bebido umas e estava super solícita com as pessoas (principalmente as conhecidas), uma vez que fazia  umas duas semanas em que estava fora da cidade, e fora da nossa cidade a gente é um completo desconhecido pra qualquer um, assim como qualquer um é um completo desconhecido pra gente.
Voltando pro reencontro, outro motivo que havia me levado a abraçá-lo e aceitar o convite para a dança é que raramente o vejo em festas - fazia muito tempo... tipo, muito tem-po-mes-mo! que não nos encontrávamos.
A dança começou, e ele dança legal. O ritmo era um forrózinho que logo depois mudou pra tecnobrega.
Logo após, puxou conversa, foi super direto, começou a discutir uma relação inexistente no passado; sobre o motivo de termos nos separado (sem ter um começo, que é o mais intrigante); sobre o fora que havia levado (que fora? eu ficava me perguntando); simplesmente, aquele momento em que o irmão da melhor amiga chega e pergunta na lata, na cara dura, POR QUE fora rejeitado? POR QUE nunca quisera namorar com ele? ao mesmo tempo que confessando:
- Pois eu te daria a lua! Eu casaria contigo, e ainda caso, se quiser!
E eu? Com aquela cara de tchonga monga, rindo, rindo por não acreditar naquilo tudo, revidei:
- E por que tu não chegou e me falou isso? Por que tu mandavas recadinho pela tua irmã, que por ser minha amiga e te conhecer tão bem, te queimava mesmo, não vou mentir... Olha, eu acho que homem que é homem tem atitude e não fica nessa de telefone sem-fio, mandando recado e esperando resposta; homem que é homem chega junto e não dá espaço, principalmente se ele quer mesmo!
(Pô, senti orgulho de mim mesma, nesse momento, escutei até aplausos, plac plac)
Mas ele não aplaudiu, não desviou o olhar, não abaixou a cabeça e nem parou de dançar; praticamente fez o contrário: olhou nos meus olhos e fez movimentos para me roubar um beijo. Me esquivei com o rosto forçando ao máximo meu pescoço numa velocidade que até matrix duvida.
Aquele clima tenso no ar - eu já não sabia mais o que fazer, o que falar, se aceitar tudo aquilo ou não. Pra descontrair, quase gritei no seu ouvido:
- Ei, se for a lua, de presente, eu quero sim! rsrs
Diminuímos o passo. Ele levou uma das mãos no bolso da calça, puxou o celular e pediu meu número.
(Lembrei de um episódio do Adorável Psicose em que um Cara-da-Boate pede o número pra Carol, amiga da Natalia, e muito tempo depois, quando ela retorna a essa boate e vê o Cara-da-Boate entrando também, reclama que ele nunca havia ligado, e  questionava: 'por que eles pedem nosso número se nunca vão ligar?'; então a Natalia quebra o clima, dizendo: 'é por isso que sempre dou o meu número errado, que é pra não correr esse risco' rsrsrs. Pensei seriamente nas duas possibilidades.)
Dei o número. Ele disse que iria vir aqui em casa no outro dia, mas que ligaria. Eu nem esperei, nem espero. Esse tipo de coisa não é pra ser esperado. Tipo de coisa que não se tem esperança.
Nos encontramos um dia desses numa comunidade onde tava trabalhando. Nos falamos rapidamente, e ele com a cara de pau de sempre disse que estava tentando ligar naquele momento (eu ri e falei 'aham, acredito' com tom de deboche) e depois, desconversou dizendo que estava tentando falar com minha mãe. Eu já tava agoniada, doida pra dizer (vai-te-embora, Carniça), mas bem educadamente. É que na verdade pra mim ou é 8 ou 80. Se não for pra ser então nem vem com xurumelas, não começa a falar sobre uma coisa que não terá continuidade. Não faça propostas sabendo que não irá cumpri-las, principalmente quando já se é casado e tem filhos. Ou seja, 'eu não tenho tempo de ficar questionando a vida'. Deixa eu aqui quieta no meu canto, tá tão legal - mesmo que solitariamente-, pois é, tá tão legal (nada como família e amigos. ok, e trabalho, já que esse acertei como prêmio de loteria: ganho para não fazer nada e por não fazer nada ganho o dia).
Mas é um 'tá tão legal', do tipo faltando um 'pecado', como diz a Andervânia; um 'trelelê', como diz a Janna; um 'nada mais importa', como diz a Dammy; um 'cara legal', como peço prO Cara quando converso (das vezes que isso acontece) com Ele.
E vamo-que-vamo, prestando atenção nas coisas legais e nos bons acontecimentos - 'quando temos muitas coisas pra guardar nele, o dia tem 100 bolsos'.
;)