Eu sei que são palavras soltas - na verdade, são palavras que preciso escrever. É que simplesmente não consigo (não tenho conseguido). Meu coração, se é que tenho um, é blindado e acorrentado com sete cadeados. Por quê, sete? Sete são os dias da semana. Sete é a quantidade de cabeças do bicho. Sete é o que tanto se pinta. Sete são os pecados. Há sete maravilhas no mundo. Tem a cidade de Sete Lagoas. O cinema é a sétima arte. Sete vezes setenta é a quantidade que devemos perdoar. Sete são as cores do arco-íris. Sete são as notas musicais. Sete é o número da perfeição. Mesmo não sendo perfeito, sete é a quantidade de chaves que precisa-se para ter meu coração, e de quebra, conhecer alguns segredos, mistérios e manias não revelados.
O lance é que não me desce esses amores e flores, assim, do nada, de uma hora pra outra. Não que eu seja insensível, longe de mim, ou quase perto disso, mas um 'estou apaixonado' da noite pro dia, me espanta!
Pense num ser desconfiado e multiplique por três. Já? Agora, adicione uns não quererês com alguns 'não sei explicar o que me impede' com 'sei não, algo me diz que não'. Some com algumas neuras, alguns números, letras, reticências, vírgulas, 'môquice', e pronto: fórmula em vida: eu!
Mesmo assim, como é que pode? Talvez eu seja a estranha do grupo, do mundo, uma fórmula enigmática, talvez. Todos me aconselham a apenas aceitar, e no entanto, não aceito, revido, evito!
"Ah, é que eu pensei que iria ser mais fácil!"
Fácil? Meu filho, fácil é a música do Jota Quest e ainda sim nem sei a letra de cor. ´
Fácil, é ter um fígado, e, no meu caso, tenho dois: um já quase estragado, e outro no lugar do coração, pra reserva, sabe como é...
E teimosa, do jeito que sou, fácil é que não vai ser tirarem essa ideia da minha caixola de papelão, uma vez que quase nunca sou enganada pela minha voz interior, e ela só diz: 'não, não e não!'
...aguardando os próximos capítulos.



