segunda-feira, 8 de julho de 2013

"The dog days are over"


Relaxar. 
Na manhã desta segunda-feira era o que mais precisava fazer.
A noite estava deveras longa. Adormeci sem lembrar no que estava pensando.
Certas vezes existe uma linha tênue entre a realidade e fantasia. Às vezes, dessa esquizofrenia, pareço sofrer: às vezes sem torturas, às vezes sem paciência, às vezes sem ânimo para aguentar, às vezes me entregando, somente. Assim adormeço. Assim a dor meço, nos sonhos.

Acordar.
Na manhã desta segunda-feira do sonho recordava. Era tão recente e real quanto estar ali, na cama sentada, relembrando os fatos anteriores.

Atormentada por um passado inexistente, meu eu lá no inconsciente diz que não preciso me desesperar; diz que daqui 'uns dias', em breve, bem breve, irei me encontrar olhando fixamente para uma moldura; nas mãos, uma xícara de café; no colo, uma bolsa; e, ao redor, lugar singelo, acolhedor, cheio de mesas e cadeiras vermelhas. 

No caminho para o trabalho, eis uma luz!: uma frase piscando ao léu: "The dog days are over, the dog days are done. Can your hear the horses? 'Cause here are they come!" 
A música tem disso: domínio total sobre mim! 

E desde então, o meu único afazer no ambiente organizacional é consumir a música "Dog days are over".
Revirando os olhos, ressoando através de meus lábios e mascando a saliva com devoção, meu corpo, em êxtase, é puro gozo e prazer.

"Meus dias de cão estão acabando". Um ano e alguns meses. Ou, alguns meses em um ano? 
Se tenho escutado lá de longe o chegar dos cavalos? Tenho, e como tenho! Por isso, melhor correr... correr contra o tempo, contra a maré, contra a mão, com outra mão!
No mais, minha paz de espírito encontra-se em repouso - 

com o coração acelerado, dilacerado, animado, apaixonado, transtornado, amedrontado...
obrigada, Florence.


euS.F.

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