Fui convidada para escrever no Batom na Mala, um blog feminino que fala bem mais de viagens do que de beleza. O tema era: "a volta pra casa" - como é fazer um intercâmbio e retornar pro Brasilzão. Então, em primeira mão, segue abaixo o texto enviado para a Alessandra Assis, vulga e queridíssima amiga, Alê.
Home sweet home - a volta pra casa
Diferente dos demais intercambistas que vão para estudar e trabalhar por 1 ano, fui como turista, aproveitar as férias, dar um upgrade no inglês e morar em Dublin por míseros, maravilhosos, porém findáveis sessenta dias. A experiência de morar em outro país é inexplicável e não é só porque estava 'de férias' que deveria ser um mar de rosas, não. Compartilhar uma casa com outras pessoas e de diversas nacionalidades, por exemplo, seria só o primeiro desafio. No meu caso foi com um indiano-osso-duro-de-roer e minha amiga brasileira, que além de extensão da família, foi quem me apresentou a cidade (paradiceys no primeiro dia!).
De lá pra cá, se passaram 6 meses da experiência, e embora já tenha passado por diversos lugares, Dublin me acolheu de uma maneira que ultrapassou todas expectativas. O contato com outras línguas, outras culturas, clima às vezes bem indeciso, faz com que passemos a enxergar tudo por diversos ângulos. É esse 'olhar além' proporcionado pelas viagens que compensa o retorno ao lar. Afinal, quando se volta para casa, você não traz na mala somente aprendizados, milhares de fotos, roupas, lembrancinhas, tombos, micos, toneladas de sorrisos e gargalhadas. Traz também opiniões como forma de contribuição direta na comunidade de origem. E, claro, uma quantidade absurda de amigos conquistados, a ponto de, mesmo distantes, planejar novas viagens para reencontrá-los o mais breve possível.
Voltar pra casa é voltar a ser humano e deixar lágrimas escorrerem incontrolavelmente pelo rosto. É lembrar das paisagens deslumbrantes, das festas, dos professores, dos museus e parques. É principalmente dar abraços apertados de 'até logo' nos amigos e amigas que enfrentaram uma chuva tórrida no dia da festa de despedida. É ter um sentimento ímpar e particular invadindo o coração, deixando-o pequeno e começar uma batalha constante do corpo e mente que não conseguem processar a informação (até hoje).
Voltar pra casa é estar atento aos mínimos detalhes da vida cotidiana, é dar valor para sentimentos, pessoas, nas oportunidades de trabalho e até nos centavos investidos ao final de cada compra. Voltar pra casa sempre se resumirá em uma palavra, bem brasileira, por sinal, chamada saudade! E essa saudade é mútua, tanto para com os familiares que recebem de braços abertos os 'bons filhos que à casa torna', quanto para com os familiares e amigos dos que ainda estão curtindo a experiência lá longe.
Quando me perguntam sobre o intercâmbio, se 'faria tudo de novo', mesmo que tenha que passar por todas as aventuras e perrengues, do tipo ter chegado antes das minhas bagagens, é claro que a resposta é SIM, em caixa alta, com gosto de 'quero mais', e de novo, com muita emoção, por favor!



















