Olha, se tem uma coisa que desde o começo do ano tem me feito 'tremer nas estribeiras' é um colega novo no trabalho.
Depois dessa mudança de governo, já era esperada a entrada dos 'puxa-saqueiros de novos funcionários e, este dito cujo entrou para ocupar o lugar em que eu estava antes, uma vez que estava apenas 'emprestada' para este setor. Pulando a conversa, vamos ao assunto que interessa: ele.
Ele chamou a minha atenção desde a primeira vez que o vi rondando por corredores afora;
Ele tem um sorriso lindo: tímido, discreto, fofo, com leves covinhas nos cantos da bochechas;
Ele tem estatura mediana, se duvidar, cravados 1,70m. de altura, já que é um pouco mais alto que eu;
Ele é moreno, tem cabelos e olhos escuros - olhar sedutor e penetrante (ui);
Ele passa longe de ser magro, mas não é gordo e nem malhado; eu diria, na verdade, que é 'gostoso de ser olhado';
Ele é jovem e aparenta ter uns 24 ou 25 anos; até que descobri nessa semana que tem míseros 21!;
Ele em resumo não tem nada de mais e não é de conversar muito. Mas causa um efeito avassalador em mim, e como... De repente, é só vê-lo que meu coração começa a batucar mais do que o normal. O negócio fica mais feio ainda quando os nossos olhares se cruzam - tenho a impressão de que até minhas bochechas ruborizam! e, então disfarço desviando o olhar. Ufa! Melhor assim.
Até então, pensava: "ah, vai ver é porque não tem 'ninguém na parada' e muita carência acumulada". E eis que em meados de janeiro, apareceu um relance qualquer, no qual chamarei de Carlinhos. Não deu certo! Em três semanas parei de sair com ele porque até entre quatro paredes via o retrato do meu 'colega' estampado na carinha do Carlinhos! Parecia delírio, não era possível que aquilo estivesse acontecendo mas, estava! Logo Carlinhos, um homem super agradável, atencioso, inteligente, cheiroso, fofo! sendo obrigado a sair da minha breve história de vida, só porque vi em sua sombra o rosto do meu colega de trabalho, por quem sustento uma paixão platônica! "Carlinhos, desculpa não ter dito antes, estou embarcando para outro país - intercâmbio de 3 anos. Até!". Via sms interrompi o que mais tarde poderia vir a ser o meu futuro. Dane-se, se não tivesse feito isso, as coisas com o 'meu-colega-de-trabalho' não teriam evoluído.
De três semanas pra cá, já trabalhamos juntos (devo confessar que foi super difícil ficar ao lado dele, de cadeiras encostadas e tudo, e agir da forma mais natural do mundo, sem dar um pio em falso); já trocamos algumas palavras (ele pergunta se tem café e respondo rapidamente: 'aham'); já encaramos mais olhares e sorrisos, seguidos de 'ois', 'sim', 'não'... normalmente, há mais de três pessoas ao redor, e talvez seja isso que nos faça não termos medo um do outro nos tirando do anonimato mudo.
Ainda sim, quando o vejo pela primeira vez no dia, causa um impacto tão fulminante, como de quando o vejo pela segunda, terceira, quarta vez...
Hoje, eu estava sozinha na sala em que trabalho, distraída no computador, quando ele empurrou a porta para adentrar a sala. Eu levei um susto e rapidamente olhei para a porta dando de cara com ele, praticamente no mesmo instante em que ficou ali engatado na porta entre aberta. (pausa constrangedora) Eis o momento de 2 segundos que pareciam uma eternidade em câmera lenta: olhares, desvio por minha parte, cabeça baixa, cabeça erguida, olhares de novo, desvio, diálogo:
_ Oi - dos dois ao mesmo tempo.
_ Tudo bem? - dos dois ao mesmo tempo.
risos tímidos.
_ Vamos trocar de lugar? rs - falando como um moleque malandro
_ Hum, mas tá fácil desse jeito! rs - respondendo irracionalmente.
_ É sério! Eu vi que tu digitas bem rápido... E se eu pedir para vir pro teu setor e te indicar pra ocupar meu lugar, tu aceita?
*E na trilha sonora da minha cabeça, tocava a música da Colbie Caillat "Yeah, I do, I do, I dodododododo dooo", quando voltei para o mundo real e respondi:
_ Ah, ué, pode ser, não tô fazendo nada mesmo. - olhando para ele que estava sentado em uma cadeira bem em minha frente.
_ Então tá.
_ Então tá.
E ficamos com os olhos fixados um no outro, como se esse último 'tá' tivesse durado uns 20 minutos.
Abaixei a cabeça, desviei novamente de novo mais uma vez o olhar, agora para o computador.
Ele levantou da cadeira e o mundo voltou a girar normalmente, ainda bem!
Vai saber se nos próximos dias, semanas e meses os abalos sísmicos irão continuar acontecendo!?
No dia que parar ou der uma cessada, aí já é outra história, já que Roger está petrificado dentro do meu gélido coração de pedra.
No dia em que nada continuar a acontecer, desse foge-foge contínuo e, algum carinha novo pintar na área, aí volto pra contar sobre como meu coração se derreteu, de como "Roger virou Água'.